7 de março de 2014

CINEMA EM CASA- O Feminismo da Monalisa

Escrito por: Peterson Leandro

ATENÇÃO: Esse é um texto completamente opinativo e não uma verdade absoluta sobre a vida, o universo e tudo mais, não refletindo, assim, a idéias e opiniões de todos os colaboradores desse blog, apenas do autor. Se você concorda ou discordas das proposições, debata nos comentários, estamos aqui pra trocar informações, mas não esqueça do respeito. ;)

Olá senhoras e senhores!

Despois da triste quarta derrota do nosso amigo DiCaprio semana passada, estamos de volta e dessa vez vamos falar com as meninas. Com as meninas não, sobre as meninas. :)
Em 08 de março celebramos a existência desse ser graciosamente forte, como nenhum outro na natureza. Mães, esposas, chefes, amigas, das mais diversas formas a mulher abençoa nossas vidas todos os dias e temos motivos de sobra pra dedicá-las essa atenção não só nesse dia, mas em todos os demais 364 do ano.
Nessa pegada "girl power", vamos falar de um filme que debate justamente esse papel multifacetado da mulher na sociedade e a força que ela tem. "Mona Lisa Smile", de 2003, foi dirigido por Mike Newell (que atolou sua própria carreira recentemente com a bomba Prince of Persia) e protagonizado pela queridinha da América, Julia Roberts, e é constantemente chamado de o "A Sociedade dos Poetas Mortos de saias".
Passado na década de 1950, mostra Katherine Watson, uma recém-formada professora de História da Arte, de ideais um tanto liberais para a época, aceitando o desafio de ensinar no tradicionalíssimo Wellesley College, uma escola elitista que prepara moças para se tornarem as mais brilhantes, cultas e finas esposas e mães do seu tempo. Indo contra o extremo conservadorismo da escola, Katherine resolve tentar abrir a mente de suas alunas quanto ao valor da mulher através de suas aulas e as desafia a sair do limitado papel esposa-mãe que lhes é imposto. No entanto, além de enfrentar as autoridades da escola, Katherine encontra seu maior desafio em suas próprias alunas, que se mostram resistentes às novas ideias, exceto por Giselle Levy (Maggie Gyllenhaal) que compartilha dos mesmos ideais da professora e é severamente criticada por suas amigas, especialmente Betty Warren (Kirsten Dunst).

- Não ignore nossas tradições só porque você é subversiva.

'Mona Lisa Smile' foi bastante criticado, principalmente pela direção frouxa e desinteressante de Mike que deu um ar "feijão-com-arroz" sem atrativos ao filme e o ritmo arrastado às cenas. Muitas das sequências parecem durar vidas. Mas, convenhamos, o que se espera de um filme sobre ideais feministas na década de 50, tiros em uma perseguição policial alucinante?
Em meu ver, o mérito do filme está muito mais no que ele se propõe a discutir e como ele faz isso do que a forma como o filme foi tecnicamente executado. No roteiro de Lawrence Konner, feminismo não é preto e nem é branco, embora Katherine Watson e a Wellesley College representem isso. No fim, ele é apenas a luta pelo direito de escolha. Pra ser feminista a mulher não precisa abolir seu papel de mãe e esposa e sair nas ruas tocando fogo em seus sutiãs pregando ódio aos homens, ela pode ser feminista tendo um lar, desde que essa seja sua própria escolha e não uma obrigação imposta por quem dita as regras, que suas opções sejam exatamente iguais as opções que um homem tem e que ela seja "julgada" por essas escolhas exatamente como um homem é nas suas. O corpo e mente são dela e ela faz dele o que ela quiser, mesmo que a escolha seja não fazer nada.
Por exemplo, no fim, Giselle Levy, a aluna que apoiava as ideias de Katherine, acaba se casando e se tornando a tal boa esposa e dona de casa, mas fez isso não pela pressão da sociedade que sofria, mas porque ela teve a liberdade de escolher isso. A professora, por sua vez, não aceita e tenta convencê-la a desistir da família (como ela mesma fez no início), mas, no fim das contas, Giselle entendeu muito mais do que Katherine o que é ser feminista. Feminismo defende o direito de igualdade de escolhas e oportunidades, independente do sexo, é a mulher que faz o que quiser consigo mesma. O que quiser.
Nunca fomos tão moralistas nem tão liberados como hoje em dia. Temos claramente “Katherine Watsons” e “Wellesley Colleges” espalhados por aí tentando doutrinar as pessoas, cada um à sua maneira. Não há tons onde tudo é preto ou branco, não há meios quando se vive na obrigação de estar em algum extremo. Porém, em minha opinião, esses extremos só geram hipocrisias sociais, porque ninguém, de fato, está na ponta da régua. Seres humanos são muito complexos para se resumirem à uma só cor.
Não fico surpreso, então, ao ver que essas hipocrisias são exatamente as mesmas que se via há 60 anos, retratadas no filme. Apesar das lutas e das indubitáveis vitórias nas conquistas pelo direito feminino (e de outras “””minorias”””) desde então, continuamos na mesma sociedade que impõe papeis e limita as opções para ambos os lados. Quem não disse "valorize-se jovem!" quando Miley Cyrus balançou dramaticamente nua de uma lado para o outro sentada em sua wrecking ball? E quem não olhou de lado e fez piadas maliciosas quando Caroline Celico, esposa do jogador Kaká, disse ter casado virgem? Ambas mulheres fortes que tomaram o controle do seu próprio corpo e foram, em níveis e formas diferentes, criticadas por isso.
O que é se valorizar senão ter a liberdade de fazer de si o que bem quer e ter a plena consciência das consequências dessa escolha? No fim, somos todos ainda filhos da hipocrisia dos extremos e, apesar dos incontáveis sutiãs que já foram queimados, ainda estamos, como há 60 anos, determinando papéis e distribuindo rótulos, os liberais e os conservadores, como se tivéssemos esse poder. Continuaremos assim até termos a coragem necessária pra atear fogo aos sutiãs que realmente importam, aqueles que estão dentro das nossas mente.

Ela veio como uma bola demolidora. E, sim, ela pode.


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FICHA TÉCNICA
Mona Lisa Smile (O Sorriso da Monalisa)
Gênero: Drama
Direção: Mike Newell
Roteiro: Lawrence Konner, Mark Rosenthal
Produção: Deborah Schindler, Elaine Goldsmith-Thomas, Paul Schiff
Elenco: Dominic West, John Slattery, Julia Roberts, Julia Stiles, Kirsten Dunst, Maggie Gyllenhaal
Classificação Etária: 12 anos.


AVALIAÇÃO

             Desenvolvimento da Trama:







Qualidade do Texto:







Qualidade Técnica:







TRAILER:

3 comentários:

Entre dois caminhos disse...

Amei cada palavra escrita.E concordo em tudo ainda somos críticos e conservadores em alguns aspectos. A sociedade está caminhando em pequenos passos mas estamos caminhando. A mulher de hoje é forte, decidida, trabalhadora, independente e ainda sabe ser mãe e ainda mostra força diante dos homens. Mesmo que ainda a sociedade seja patriarcal, arcaica e machista. Vejo avanços e ainda quero está vivo para ver mais essas mudanças e finalmente ter uma sociedade "justa e menos moralista"!.

Amanda Deodato disse...

Texto lindo, sem extremismo, sem machismo e com o que realmente importa: o olhar sensível e desprovido de preconceito sobre questões que nos cercam durante toda a vida e que é retratado no filme "O Sorriso da Mona Lisa".

Jayson disse...

Sobre o filme, ainda nao assisti, mas pela descrição maravilhosa me deu vontade de assistir.

E sobre o conteudo digo uma coisa: A hipocrisia e o preconceito= o ministerio da saude deveria adverter como um mal prejudicial a saude da sociedade. pq viu.


Ps.Custei pra ler o texto com muitas pausas, não pela escrita maravilhosa, mas acho q poderia ter mais espaços e mais gifs pra desafogar o texto, como um leitor assíduo na blogosfera :P percebo q sou mais acostumado a terminar de ler textos mais 'atraentes'.